segunda-feira, 23 de julho de 2018
from Megane, 2007 (again)
Follow the path straight ahead.
Keep out of the ocean deeps
I have left such words behind me
The Moon shines upon all paths
like Fish who swim like Diamonds in the Dark
Called a human being by chance – so here I am
What did I have to fear?
Against what was I struggling?
It’s time for me to lay down my heavy load.
Give me even more strength,
Strength to love.
I know what Freedom is.
I know what Freedom is.
terça-feira, 12 de junho de 2018
O museu do silêncio, de Yoko Ogawa
"Meu irmão é do tipo de pessoa que não dá muita importância para coisas e posses. Ele não se apega. Talvez por conhecer bem como toda a matéria é composta. Mesmo a pedra mais preciosa é só uma combinação de átomos, e mesmo no animal mais reles e nojento as células se combinam em arranjos lindos. A aparência das coisas é só uma farsa. Por isso ele dá mais valor ao mundo que os olhos não enxergam. Ele sempre dizia que "o primeiro passo da observação é ter consciência de quão rudimentar é a precisão do olho humano". (p. 89)
"- Deve ser porque os meus ouvidos estão cobertos pelas ataduras. Então escuto os sons que vêm de dentro de mim. Minha mãe sempre diz que se a gente quiser saber o futuro, é só tapar os ouvidos. Assim dá pra ouvir a voz dentro da gente lá longe, no futuro." (p. 106)
"Dentro dela havia um pente, uma colher, um anzol e uma bola de gude. Isso era tudo. Aparência, comida, trabalho e memória. Era o menor museu possível representando a vida daquele homem." (p. 208)
segunda-feira, 23 de abril de 2018
escorpião, signo fixo
domingo, 15 de abril de 2018
Instruções para esquivar o mau tempo, de Paco Urondo
Refugie-se em casa e feche as trancas quando todos os seus estiverem a salvo.
Compartilhe o mate e a conversa com os companheiros, os beijos furtivos e as noites clandestinas com quem lhe assegure ternura.
Não deixe que a estupidez se imponha.
Defenda-se.
Contra a estética, ética.
Esteja sempre atento.
Não lhes bastará empobrecê-lo, e quererão subjugá-lo com sua própria tristeza.
Ria ostensivamente.
Tire sarro: a direita é mal comida.
Será imprescindível jantar juntos a cada dia até que a tormenta passe.
São coisas simples, mas nem por isso menos eficazes.
Diga para o lado bom dia, por favor e obrigado.
E tomar no cu quando o solicitem de cima.
Dê tudo o que tiver, mas nunca sozinho.
Eles sabem como emboscá-lo na solidão desprevenida de uma tarde.
Lembre que os artistas serão sempre nossos.
E o esquecimento será feroz com o bando de impostores que os acompanha.
Tudo vai ficar bem se você me ouvir.
Sobreviveremos novamente, estamos maduros.
Cuidemos dos garotos, que eles quererão podar.
Só é preciso se munir bem e não amesquinhar amabilidades.
Devemos ter à mão os poemas indispensáveis, o vinho tinto e o violão.
Sorrir aos nossos pais como vacina contra a angústia diária.
Ser piedosos com os amigos.
Não confundir os ingênuos com os traidores.
E, mesmo com estes, ter o perdão fácil quando voltarem com as ilusões acabadas.
Aqui ninguém sobra.
E, isto sim, ser perseverantes e tenazes, escrever religiosamente todos os dias, todas as tardes, todas as noites.
Ainda sustentados em teimosias se a fé desmoronar.
Nisso, não haverá trégua para ninguém.
A poesia dói nesses filhos da puta.
sábado, 24 de fevereiro de 2018
Gabriel García Márquez
"All human beings have three lives: public, private, and secret.”
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
O inóspito: o estrangeiro e o inimigo em nosso espaço
terça-feira, 16 de janeiro de 2018
Flusser
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
ainda sobre a ficção
Outro aspecto que ficou na memória é quando ela diz sobre a feição de desejo dele e dos outros namorados. É isso que a atrai no sexo, o fato de se sentir desejada.
Inspirada com o conto, escrevi as seguintes linhas:
*
M. Trabalhava na exposição no Sesc e quando não tinha movimento, a distração era em enviar mensagens para P. As confidências diárias eram muitas. Ele não se lembrava dela. Ela se lembrava que alguns meses atrás ficaram e apesar do final da noite, todo o esquenta e o rolê tinham sido bacana o suficiente para ela querer revê-lo. Como era questão, já que dissera para ele que haviam se encontrado no passado.
Um dia, depois de um mês de trocas de mensagens diárias ela o convidou para sua casa. Os pais estariam fora e ela se sentia confortável o suficiente para chamá-lo e estrear a nova lingerie preta. Na verdade, não era dela. Mas a irmã mais velha havia lhe dado. Ele estava ansioso e quando ela chamou, chegou de táxi.
M. estava com medo que ele a reconhecesse logo de cara e apagou todas as luzes da casa. Deixou o portão aberto e quando ele chegou, o guiou com a sua voz. Para ele, era tudo estranho e podia ser uma armadilha. A caminho do quarto, mesmo depois de vê-la de camisola branca e lingerie preta, ele não a reconheceu.
Ficaram juntos a noite. De um modo decepcionante que a realidade pode ser. Era uma cama de solteiro e incomodada, depois do ato, do grand finale, ela mudou de quarto e foi dormir em outra cama. Uma mais confortável, que pudesse dormir.
Ele acordou no meio da noite e achou que tinha entrado em uma cilada. Que alguém robaria seus rins.
Conversaram sobre.
Riram um pouco. Um riso nervoso.
E ele foi embora. Ela guiou em palavras o ponto de ônibus mais próximo. Depois disso, a conversa foi apagada. E nada disso existiu.
sábado, 16 de dezembro de 2017
só a ficção salva
2. a noite, diante da febril ressaca, pensei nos organismos e nos corpos, no controle pelos fluidos. era como se algo espesso e translúcido estivesse entre as nossas células, infiltradas por um organismo maior. na sonolência, tudo teve sentido.
3. da noite anterior e o sonho da montanha russa pelas ruínas do museu.
a história de A.P
a tarde corria e junto com os salgados, hotdogs, pipoca, salada de macarrão. eu enchia cada vez mais meu copo de frisante, enquanto ia para lá e para cá, servindo para os pais e as crianças. uma das discussões ao fundo começou a ficar mais inflamada sobre a variável Bolsonaro. era o pai da melhor amiga da S. e acho que isso não era um bom começo de convivência com as famílias. de todo modo, o pai foi embora, com a desculpa de que o filho estava doente, o que foi desmentido com um não sei porque meu pai fala para falar que eu to doente, eu to bem.
de volta a cozinha, A.P me contou sobre o pai dela e como ela era filha de um estupro. a família era de Minas, bem humilde e a mãe veio para São Paulo para trabalhar como doméstica. o pai reapareceu quando A.P tinha 11 anos e lembra dele arrancando as unhas da mãe com alicate. (não quis aprofundar mais, isso sempre me toca e me faz ficar muito mal). a família de Minas era da cidade da manteiga Aviação. A.P conta que a indústria começou com uma portinha e que as tias sempre pegavam as embalagem que sobravam e a empresa jogava no lixo. com o crescimento da empresa, o que era antes descartado começou a ser cobrado e hoje vale R$ 8 centavos cada caixa.
final da tarde e A.P já ia embora quando dei um abraço nela e desejei que o aniversário de 40 anos, já próximo, fosse comemorado com muita alegria. desejei que ela fizesse a viagem que tanto queria, para algum lugar tranquilo, com o marido e com o filho. a noite, antes de dormir, com o coração pesado pensei que seria bom trazer em algum momento da vida da escrita essas histórias que carrego pelo contato ou convivência. lendo Bolaño e o capítulo Anne's life, acho que tive algumas ideias do que isso pode ser no futuro.
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
rio de janeiro, 7 de dezembro de 2017.
#2
na livraria, quase há pouco. queria ter um caderninho para que pudesse olhar com mais atenção meus sentimentos naquele momento. tinha um lançamento de um livro, com coquetel e pessoas fazendo fila para o autógrafo. acho que o título fazia referência sobre o Brasil e a Namíbia. eu entrei deslocada, mas isso me acompanhou quase todo o dia. folheei Sebald, e pensei em Carolina. olhei Emily Dickinson e era Juliana ao lado de Diego, com Cohen. olhei os dois e pensei se valeria ou não a aquisição. pensei que precisava de literatura inglesa, para fazer jus a sensação de deslocamento que estava tendo desde que a Ia foi embora pela manhã. o museu do silêncio ainda não reverberava e precisava realmente sentir as palavras de outro modo. sair de mim. mas não era o tipo de imersão fílmica que eu precisava. dali da livraria, depois de comprar Bolaño em inglês, tomei uma soda no café do mezanino. é uma bela livraria, sem aquelas frases deslocadas que ultimamente todos os lugares gostam de estampar nos vidros e nas paredes. até a pastelaria perto de casa colocou Fernando Pessoa, na parede branca inundada pelo cheiro e a gordura do óleo. ao lado a direita, um rapaz falava para uma garota sobre seguros. a esquerda, dois homens e uma garota comentaram sobre Villa-Lobos. naquela inexatidão toda, derrubei soda no livro que acabava de comprar. melhor fechar e olhar para o celular, falar com D. que estava todo dia virtualmente ao meu lado. postar uma foto no stories também parecia, em algum momento, importante para registrar o dia. antes, talvez não me sentisse tão vulnerável tecnologicamente, mas também acho que depois de tanto tempo de flanagem, tudo cansa um pouco, e já não tem mais o verniz da novidade. ultimamente tenho gostado de viajar acompanhada, desde que intercale de alguma forma como esses momentos como hoje.
voltando. ao ver todos aqueles autores, pensando sobre o ano (até o spotify trouxe a retrospectiva das músicas mais ouvidas), pensei em como seria bacana ter um livro de literatura publicado. não como o da Alameda, acadêmico, mas algo que trouxesse para a superfície essas percepções diárias em forma de ficção. voltei um pouco a adolescência em imaginar como gostaria de ser quando crescer. de certa forma, já estava tudo ali. eu. minha carreira. aspirações e gostos que ultimamente tem mudado tanto. mas acho que é um projeto importante para a próxima década. se algo tem aparecido com frequência, é o desejo da escrita. mas para isso, escrever, escrever, até fazer algo diferente. talvez o blog ajude na difícil tarefa de escrever em não primeira pessoa.
#3 na praia. sempre fico impressionada em quanto água os nossos olhos podem perceber. a água estava fria, com muita correnteza e força na quebra das ondas. não consegui ficar muito tempo, mas o suficiente para não criar aquela sensação de que preciso de qualquer modo sair do lugar. a saturação que aconteceu no restaurante no leblon, no café e na livraria. eram lugares de passagem, mas que na minha dúvida para onde ir, insistiram mais na sua função inicial.
sexta-feira, 24 de novembro de 2017
24 de novembro de 2017, 06:17: sobre a porosidade
sinto uma pequena dor de cabeça, mas ainda não sei o que de fato é consequência da abstinência pelo açúcar. mas acho que junto a essa pressão constante na cabeça vem uma outra questão: minha entrada esse ano em um mundo de trabalho business. hoje, enquanto não conseguia dormir, ficava pensando sobre as pessoas que encontrei durante o dia. como elas conseguiam chegar em casa e desligar da tomada, deixando para trás os rostos que apareciam em flash na minha memória? eu pensava em tudo, nas moças que trouxeram os lanches, o jeito e o rosto de alguém que entrava na porta, e, claro, tudo aquilo que falei e não deveria ter dito, ou como deveria ter dito algo que não disse. pensei primeiro na minha total inabilidade de me assentar na situação. o que foi seguido do pensamento de que meu corpo era todo poroso, já que ele absorveu tudo aquilo e a noite, quando colocava a cabeça no travesseiro, deixava escorrer para algum lugar tudo aquilo que foi gestos, pensamentos e hierarquias de comportamento. pensei assim, em voltar a escrever sobre os confrontos diários (será?). mal não faria e seria um resgate do blog que está nos últimos anos as moscas. (talvez seja bom, quer dizer que ando com menos conflitos. será?).
então, enquanto esquentava o leite de aveia para colocar na granola, pensei que já tinha experiência suficiente para não projetar uma imagem do que eu poderia ser naquele ambiente que, aparentemente, não era meu. entender que minha passagem é temporária, mas nem por isso com a intensidade menor de conflito. mas uma boa oportunidade para dissolver as tensões umbilicais da academia. um pouco mais de pé no chão diante não uma necessidade, mas uma escolha.
no meio de toda essa chuva interna de pensamentos, entrei no blog Karina Kuschnir. e lendo (e pertencendo) alguns posts, fiquei feliz em saber que esse lado gauche, tem a vantagem de sentir e nesse sentir um pertencimento sensível (subjetivo, a palavra anda meio gasta, mas não deixa de ser).