quinta-feira, 30 de outubro de 2014
domingo, 19 de outubro de 2014
#sonho
a beira-mar. a tampa do bueiro vazava um líquido escuro enquanto eu andava por uma galeria abandonada.
era engraçado porque um homem repetia como e porquê aquilo era uma grande obra de arte contemporânea.
passei por um caminhão e alguns homens trabalhando perto do bueiro. nele, algumas barras de ferro fincadas. a pressão da água era grande. as tampas dos bueiros não iriam mais aguentar toda a imensidão da água que estava para sair.
De Chirico cada vez mais presente nos sonhos.
(12.10.2014)
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
c.i.r.u.r.g.i.a
foi uma das piores sensações já sentidas. a dor, aguda, como nunca antes. a resposta que não é regida pelo pensamento. lembrar da fragilidade. pensar que. nunca mais quero passar por isso.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Corpo_Cidade
obrigada pelo convite para assistir ao Corpo_Cidade. vim acompanhando o seu processo ao longo do último ano, e, estar lá, foi presenciar um pouco de nossas conversas. os desejos, a convivência, mas tudo em um nível agora mais concreto. ontem eu vi você camuflada de cidade. também estavam lá todas as durezas e doçuras que são paulo permite. deixo abaixo minhas impressões sobre ontem.
parte I - solo você estava parada na praça e eu pensei o porquê do seu olhar para o horizonte. era um olhar que via, ou que se fingia alheio à realidade? a praça transmite um sentido de segurança. as pessoas caminham mais devagar do que nos arredores. prefiro pensar que são as árvores e as sombras e os paralelepípedos. seguir você me fez pensar que eu era um tipo de anjo, que vela e observa. nunca interfere, apesar de saber que minha presença era sentida. entendi que é maravilhoso se desprender das câmeras, experienciar antes de qualquer coisa. observá-la sentada, como pedinte de amuletos: o código de estar sentada - passividade e algo que as pessoas aprendem em cidades grandes. ignorar para continuar o caminho sem interferências. como se torna algo difícil tirar a camada de objetividade da vida e ouvir um pouco o outro. o seu olhar era brando.
parte II - coletivo. a apreensão inicial da loja, na rua guarani, 63, me fez pensar se os vendedores eram atores. o casaco de um deles era incomum para o calor que fazia lá fora. caminhei até em frente da oswald de andrade. estavam todos parados, como se congelados por um momento. me chamou a atenção a moça estática, com a mochila aberta em um movimento de guardar o celular. o caminhar (im)perceptível não era visto pelos passantes. alguns se detiveram curiosos.
das grandes potências do espetáculo - a contravenção de parar o trânsito. tensão para quem vê e sente como o tempo de abrir e fechar o semáforo é outro. também no posto de gasolina desativado. a beleza de ocupar o espaço e resistir. na minha percepção, as máscaras (e os códigos-máscaras) e os beijos nas faixas de pedestres poderiam ter sido mais sutis. os corpos de cada um já são significativos o suficiente.
diante disso tudo, você chegou com a caixa de carne crua. a interferência de um senhor, indignado, me fizeram pensar em duas facetas da ação. o incômodo a ponto de ele parar a viatura da polícia (sob o pretexto, para mim engraçado, que você estava sujando a rua) e algumas pessoas que começaram a vaiar a atitude do homem. o apoio e a cumplicidade de quem via. foi bonito. e tenso. seu olhar, quando chegou, era algo próximo de um sentimento de urgência.
na praça, tudo tomou outros ares. os corpos distribuídos na praça, ocupando o espaço. logo a frente, um ator filmava uma "pegadinha". presenciei a encenação da produtora chamar uma mulher e pedir para ela dar um grito "histérico". a realidade maquiada da televisão. a diferença clara do espetáculo e a poesia no mesmo lugar da ação sensacionalista.
entramos todos no metrô e desde então minhas pernas começaram a cansar. talvez pelo calor ou pela tensão do inesperado. pensei que o espetáculo, apesar da força, não era muito solidário a possíveis fragilidades do espectador. a parte em que o metrô abre e vocês acolhem os colegas foi repentina e brusca - um respiro diante a paisagem dos dias cotidianos.
no caminho da estação armênia, saltei para o meu destino. deixei vocês e a continuidade do espetáculo. de alguma forma todo o sentido da peça reverberavam em algumas reflexões. minha cabeça pululava de questões diante do que havia visto. pensei que estar na cidade é estar sujeito à: câmeras, polícia, insultos, incompreensão, "pegadinhas", mas também estar em contato com raros momentos de beleza possíveis somente dentro do caos cotidiano. a dialética da vida. possível somente pelos contrastes. esse respiro, claramente exposto na proposta, para mim foi permeado de sensações. do sorvete e bolinho que comia enquanto observava vocês pelas ruas, até a fila da catraca que vocês fizeram para entrar no metrô. passar novamente por lá, vai ser resgatar essa memória e ver a cidade com mais carinho.
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
changing
I walked on the stony beach and imagined I was a part of the nature of the island, and that I would alway live here.
I tried to love the turbulent sea, the strange colors that released their beauty so frugally.
And the more I tried, the more frightened I became that I would not be living there much longer.
I wanted to open my arms and embrace it all, but became my fear that it would never be mine was so great, it never became mine.
I lived there for a brief period of my life, and what I brought away with me was not the stones and the trees and the beauty.
I left the island with loneliness in my baggage, and the feeling that something inside me had changed forever.
[liv. ullmann]
sábado, 6 de setembro de 2014
celebração
reconhecimento. excelência em pesquisa. sugestão para a publicação.
aos poucos, durante as semanas estou retomando os planos, os sonhos e a realidade nova diante às necessidades.
novos planos. agradecimento a tantos.
enquanto isso, completamos cinco meses juntos.
sábado, 5 de julho de 2014
sábado, 21 de junho de 2014
inevitável
cada dia em uma casa.
cada dia um novo sentimento.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
terça-feira, 3 de junho de 2014
a fragilidade das classificações
[PEREC, Georges. A vida modo de usar. São Paulo: Companhia das Letras, 2009 - p. 49.]
quarta-feira, 28 de maio de 2014
R. (II)
do olhar de soslaio da janela do seu quarto.
os copos na varanda, preenchidos com a chuva do dia seguinte.
a música carregada de outros tempos.
toque. delicado.
I.
e seguir minha vida independente dela.
ela não sabe, mas. já existe um muro que não permite a transparência da fala e das emoções. eu sabia, mas fingi esquecer.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
retirar para construir - a síntese final
*
acontece de agora de tentar entender como acontece o princípio da "retirada da matéria". M. fazia isso muito bem. construía quadros inteiros de superfície de grafite para depois retirar, traçar pela ausência.
estou naquele momento da pesquisa em que meses inteiros são deslocados para um arquivo morto. minha esperança é que, em algum momento da minha vida, eles voltem a fazer sentido. ou, que, no dia D. não seja inquirida por eles.
