quinta-feira, 27 de março de 2014
quinta-feira, 20 de março de 2014
sonho
um silêncio quase mórbido. não sobreviveu ninguém diante a tragédia. o furacão passou e eu estava dormindo.
e despertar aos poucos, perceber os sons. localizar o ambiente da casa. o teto, o escuro.
*
no outro sonho, acordava diante a penumbra do dia. todos dormiam. abria a porta da única casa da pequena ilha, localizada ao alto da colina. ali, diante de mim, a natureza e dois blocos de montanhas em diferentes tonalidades. a água do mar que batia violentamente. eu presenciava a força de um titã, diante meus olhos.
sábado, 15 de março de 2014
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
escritos de amor entre artistas
O que ela quer ninguém sabe. Nem mesmo ela saberia dizê-lo. Isso às vezes a faz sofrer, às vezes a liberta. Dizer de seu desejo, justificar suas intenções.
(...)
Em Hume, o conhecimento é adquirido através do hábito e da observação – a percepção diária do movimento do sol durante o ano pela projeção da sombra de um arbusto no parapeito da janela. Mas e se fossemos um pouco alem do mero conhecimento objetivo e começássemos a observar apenas as linhas e as formas das coisas? E se nos habituássemos a olhar o mundo de uma forma ausente de objetividade porém plena de expressividade? E se começássemos a adquirir o hábito de nos esquecermos diariamente de nós mesmos e de passarmos a existir como rastro e resíduo junto às migalhas de pão, às pétalas secas, no encalço de formigas?
(...)
Tarde da noite ela fala de pequenas mortes. Ela fala de pequenas mortes ao mesmo tempo em que adormece. Um dia morre com ela levando seus rastros para os sonhos. Isso às vezes a faz sofrer, às vezes a liberta."
Cao Guimarães, em 1997, para Rivane Neuenschwander
domingo, 16 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
rua Carlos Weber, 184.
ali era a fábrica da Tranquillo Giannini, lugar que se construía instrumentos em uma época em que a Rua Carlos Weber era só indústrias e fábricas. pela caminhada de hoje, pensei no lugar como um grande galpão, espaço dedicado a arte contemporânea. foi o relâmpago de um sonho, transformar o abandonado em algo próximo daquilo que vi muito em Berlim. está perto da estação de trem. viria muito gente para ver o que se está produzindo em toda emergencialidade brasileira. talvez um dia. eu vi que das ruínas brotaram algumas árvores. ou árvores que brotam pedras.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
bonito.
da cidade
era naquele bar
naquela cadeira
daquela mesa
convertida em cavalete
onde se punha
a perseguir o silêncio
com as mãos"
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
unknown
ainda sem nome, então, desconhecido.
também sem forma, não tátil.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
só
Eu não fiquei assustada porque sei que passo muito mais tempo por lá, em um tipo de procrastinaçao viciante. É como olhar para uma janela e ver o mundo em suas cores irreais, rosas e tons de pastel passarem em minha frente. Fulano casou, ciclano teve filho, outro cortou o cabelo e mudou a foto do perfil.
Mas uma coisa que ninguém fala, justamente por ser assustadora, é o porquê.
Arrisco o palpite que é muito triste nos depararmos diante nossa própria solitude (porque solidão virou tudo, menos o que deveria dizer). Eu posso ter um jantar incrível sozinha, mas gostaria de ter alguma companhia. Mesmo que bem depois, quando já no processo da digestão. Para se sentir menos só, o processo: celular, foto, postagem, curtidas e comentários funcionam como um grande paleativo das nossas dores. E acho que esse sentimento vai além do sentido de aparecer. Não tanto mais o ter em vez do ser proclamado desde a modernidade.
Acho sim que estamos cada vez mais sós, a ponto de não sabermos mais como lidar. Diante o trabalho e a vida corrida cotidiana ocupadamente ocorre. Mas é na espera de um café, do elevador, de alguém chegar é que bate algo que é suprimido pela ação de puxar o celular a mão.
Meu pai chama o computador de "caixa de solidao". Para mim é um misto de tudo, porque a tecnologia é sempre o resultado que fazemos dela.
Vai saber se daqui um tempo, em uma geração definiva (se é que isso existe,- mas nada me tira a ideia que estamos em um período de transição de algo mais norteador), seremos conhecidos como "solitários não conscientes". Diante tudo, resta acreditar que a vida deixe de ser potência e observação para se tornar vivida de modo mais pleno. Um pouco mais de coragem para dizer, e não tanto orgulho, para perguntar: hei, você quer jantar comigo?
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
D.
não mais pensar nas últimas cartas, nas ofensas recíprocas. mas posso te dizer, foi só quando eu decidi deixar de lado tudo o mais, e ir viver, é que isso se tornou uma vida passada. quem disse que não podemos viver tantas vidas em uma só? o hoje ainda está começando.
*
Y te agradezco que hayamos compartido momentos tan felices juntos.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
carta aos amores perdidos
a caminhada consistia em um pouco mais de um quilometro. ainda no começo, veio a chuva. fina e fraca até se tornar espessa e cair com violência nas calhas das casas. das ruas escuras, iluminadas pelos relâmpagos. estrondos adentravam as ruas da lembrança de Colônia do Sacramento.
você me ensinou a admirar relâmpagos. e não temer os silêncios que antecedem tempestades.
domingo, 12 de janeiro de 2014
O Cavalo de Turim, Bela Tarr
[A Gaia Ciência, na crítica de Fábio Andrade]
antes de tudo, a movimentação da câmera. o plano sequência e a estaticidade da câmera como um ponto final. a mesma ação vista em um ângulo diferente: a refeição que se resume a batata, o vestir e desvestir as roupas. a recusa do cavalo (quem disse que os animais também não são suicidas?). o poço que seca. a luz barroca e pictórica de cada cena. a trilha arrebatadora.


