Mecânica, versão negra, 2012, de Flávia Ribeiro.
também da fala e da movimentação de câmera do vídeo, de Maya Watanabe.
El contorno, 2011.
carregar novos espaços, preencher outros tempos
também da fala e da movimentação de câmera do vídeo, de Maya Watanabe.
das vivências existiram desde o choque da decepção e o retorno àquele lugar escuro (na hora da zona morta, carinhosamente apelidada), até a busca por uma salvação constante. Muita ansiedade diante isso. Mudança para uma casa de ecos inspiradora e deprimente. o tkd como terapia e o forma encontrada para fortalecimento do corpo e do espírito.
um amor de porto em São Paulo. outro, estrangeiro. o entendimento que é sempre bom estar fora do lugar que habitamos. (assim me torno uma pessoa melhor, acho). ah, e claro, um amor em potencial ainda embrião.
e enfim, terminar (ou começar) em um lar temporariamente definitivo. fazer daqui, meio ao caos da urgência da sobrevivência uma casa para hospedar sonhos e desilusões. é difícil prever o futuro. dá um frio na barriga danado porque ano que vem será o ano da defesa e desconheço para onde os ventos me levarão. mas, a sensação de que as coisas começaram, de fato, agora, continua. como a tulipa que apareceu no sonho. avermelhando-se aos poucos junto a pequenas certezas. e o entendimento que tudo o mais que virá é construído aos poucos pelo dia-a-dia.
- Oi!
- Oi.
- Você é da onde?
- Por quê?
- Esses olhos, é italiana?
- Não.
- Japonesa?
- Não.
- São tão familiares. Você é da vizinhança?
- Não.
- Tem certeza?
- Aham.
- Já te vi. Você não vem sempre aqui?
- Não sou daqui.
- Sabia! Pelo andar, brasileira, não é?
- Aham.
- Isso foi um sim ou um não?
- Dali de perto.
- Ah, o Rio de Janeiro. Ele continua lindo?
- Não sei.
- Olha, eu não queria te dizer. Mas você tem olhos lindos.
- Obrigada, puxei do meu pai.
- Se são tão lindos quanto os seus, parabéns a ele. Ele deve ter um porte.
- Não tem.
- Se você se sentir a vontade, pode me falar sobre isso…
- A fila andou. Vai entrar?
- Vou, vim visitar meu irmão, roubo.
- Eu, meu pai.
- Seu pai?
- É, homicídio, 30 anos.
- Matou sua mãe?
- Não, meu namorado. Ele está vindo, quer conhecê-lo? Ele vai adorar seus olhos.
Van Gogh foi o escolhido para ser o protótipo do artista moderno. Nele, existe a ideia do incompreendido, sofrendo pela ignorância de tudo e de todos, despejando toda a imensa subjetividade do ser em pinturas para além do seu tempo. Reverbera assim na contemporaneidade, ainda, um tipo único de sujeito baseado nesse pensamento: o artista-romântico, ou na expressão de Artaud, um "suicidado pela sociedade", vanguarda do seu tempo.
A orelha amputada, símbolo máximo na utilização feroz do mercado, legitima a loucura e um tipo de pensamento para qualquer aspirante a artista. É interessante perpetuar a tese de que são os outros que não compreendem o que existe no "mais-alto-fundo-âmago-do-seu-ser". Nisso, todo um mercado de críticos, curadores, universidades e professores estão lá para apoiar e dizer que todos tem um alto coeficiente de criatividade e inovação. A criação não seria um simples jorro na imensa linha do tempo, no sentido de extrapolar o sentido de hereditariedade dos genes por meio dos filhos.
Talvez seja essa a razão do porquê os cursos livres de artes proliferem mais que baratas no verão. O mercado lucra, e muito, com toda a ignorância e síndrome de um romantismo tardio. Pois se houvesse um curso em que os professores, ao verem o desenho do aluno dissessem em alto e bom tom: Não passarão!, seriam muitos os que repensariam um curso de direito ou administração ora antes nunca navegados.
Não que a falta de talento seja inibidor para aquele que busque maior expressividade. Mas a herança herdada, (não racionalmente por Van Gogh, mas a todos outros que se beneficiam) ecoam para uma série de jovens artistas, esperando na fila alguém que vislumbre esse raio de sol.
Racionalidade e expressão caminham juntos na mesma muleta de alguém não apenas "gauche", mas também "droit". De um lado, a possibilidade de entender que a produção artística anda junto com um senso de autonomia. No outro pé, o trabalho duro, muito duro. O que rege o que irá ficar ou não para a posteridade independe do desejo do próprio artista. Não são todos que caem na fina malha do tempo, mas às vezes fatores de estar no lugar certo, na hora certa, também ajudam na grande corrida ao ouro.
Nem todos tem um irmão como Theo para assegurar um conforto e sobrevivência necessário para o grande tempo. Nem todos poderão ser o joguete de um dispositivo mercadológico. Mas, na melhor das hipóteses, sempre haverá enriquecimento de alguma parte que lucra com anseios e sonhos. E se for artístico, melhor ainda.
[um dia, teve um breve colapso e quis jogar-se da ponte. já era noite e quase não lembra como tudo aconteceu]
o pai é comunista, com família sírio-libanesa. a mãe, pedagoga de origem japonesa e silêncios mortais junto ao tlec-tlec do relógio. Já me chamaram de sushi com quibe.
tem Francisco Alvim como inspiração. mas o humor oscila entre o butô e o tropicalismo.
Girassol.
Evandro Carlos Jardim.
A meia noite no quarto de cima, o Cruzeiro do Sul.
diferente ou desnecessário.
CTH, 28 anos, escorpião com ascendente em peixes.
[nisso tudo, uma ou várias mentiras]
[Os retratos cinematográficos de Sokurov. Eva Binder em Alexander Sokurov: poeta visual. p. 56-67]
trocar o vocabulário para o cansaço das palavras.
a densidade e o incrível silêncio das coisas mortas. (volto à camuflagem de Nuno).
imobilidade ou quase.
o não revelado.
o escuro também é imagem.
[retomando de volta o rumo]
não que exista um renascimento, mas apenas um pequeno avanço nas ações que não podem ser esquecidas. essas sim, prioritárias.
posso dizer que uma parte de mim ficou em C. do S?
acordo com sensações de uma outra vida com E.
o que havia naquelas fachadas que me perseguiam desde Pelotas? era como se o sol que irradiasse por uma fachada, sem perspectiva, sem miolo, sem profundidade. somente o muro como uma separação para um grande vazio, morto.
o que houve na esquina daquelas duas ruas que me fez paralisar dessa maneira?