sábado, 24 de março de 2012

presente de aniversário

eu vejo essa foto, de quase há 10 anos. foi tirada, capturada e esquecida.
será que, agora, nesse resgate, encontro-me comigo ao retornar a imagem, e, consequentemente à lembrança?

quarta-feira, 21 de março de 2012

as vezes a pequenez me esmaga.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Nathaniel Hawthorne

“ Os anos, afinal, tornam-se meio vazios quando vivemos muito tempo em terra estrangeira.
Nessas circunstâncias, adiamos a realidade da vida até o momento no futuro quando poderemos novamente respirar o ar nativo.
Mas, à medida que o tempo passa, ou se eventualmente retornamos, constatamos que o ar nativo perdeu aquela qualidade revigorante.
A vida transferiu o seu lugar para onde nos considerávamos somente residentes temporários.
Assim, divididos entre dois países, acabamos sem nenhum.
Ou somente com aquele pequeno pedaço de um deles… onde, finalmente, repousamos os nossos ossos descontentes.”

domingo, 11 de março de 2012

domingo.

quando o passado revisitou os sonhos.
já estava casado quando ligou. conversaram mesmo que pouco, a ligação estava péssima
no calor que fazia acordou.
*
e um gato malhado e a andorinha sinhá fez novamente sorrir.

segunda-feira, 5 de março de 2012

cumplicidade na garagem.

elas se reunião todos os sábados e domingos. as cadeiras de plástico ao redor da mesa.
ficavam em um círculo, rindo, contando anedotas e observações da vida alheia. sempre achei essa imagem atemporal. as senhoras estariam para sempre na garagem, mesmo que, porventura, uma ou outra estivesse doente. o riso da dona da casa sempre cortava os domingos. fazia companhia ao sempre som do jogo de futebol que reverberava nas casas.
foi em uma tarde que pensei. se não tivessem umas as outras, seria muito triste o cotidiano. de toda a solidão, já bastava voltar para casa e encontrá-la vazia.

domingo, 4 de março de 2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

de chris marker

"o passado é como o estrangeiro: não é uma questão de distância, é o cruzamento de uma fronteira"

(Chris Marker, Le Dépays)

09:12

27.2
foi recebida com uma grande ventania. a chuva acalmou um pouco do calor.
não consigo esquecer de como queima.
*
01.3 - 15:30
a unidade ficava no terceiro andar. naquela brancura do sol a pino, lá ficava ela, retumbante pelo único acesso permeado de imobiliárias e salões de beleza. subiu. mas ao chegar, apesar da placa dizer Ouvert, só estaria aberto as 17h.

bateu na porta. a impressão era que naquele grande telão, a porta iria desabar e a porta seria só a carcaça para um grande vazio. o vento da queda, mostraria que estava desabitada há tempos. a fachada desfez-se tão rapidamente.

no bebedouro, um garfo. as salas, de tão pequenas e apertadas, não poderia comportar mais de três pessoas.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

sonho de uma noite de verão

a mudança já estava todo planejada. mas no decorrer do dia, descobriu que não era sozinha que iria viver. iria chegar mais três pessoas, duas dividindo o mesmo quarto. não era mais como da última visita. o armário era maior, com portas corrediças e um rodapé como antiga moradia de ratos. o piso de assoalho retangular, a luz amarela do entardecer. tudo parecia refletir o calor.
"- Não olhe para o ventilador, ele não funciona" disse o rapaz de rabo de cavalo de olhar astuto, mas um pouco medroso. deixou as malas e saiu para se refrescar.
não sabia bem como todos caberiam ali. uma cama de casal, três pessoas.
a terceira parecia ser a mais nova de todas. tinha a mesma idade, 26, mas seus cabelos e trejeitos anunciavam bem menos idade. Ficava a pular pela casa, junto com a outra moradora. não sei bem como era essa última.
olhei para a janela. eram duas camadas de vidro, a que dividia o espaço externo estava quebrada. transparecia a desolação de uma antiga fábrica enferrujada, com grande parte de suas armações inundadas. esse quarto ficava suspenso em um grande lugar com um posto elevado. era como o poço do clube anhanguera, que conhecia quando criança.
subiu as escadas e na parte de cima havia aulas de natação.
"- Somente para a terceira idade" disse o guia.
a partir daí, iniciou-se uma fuga. uma das partes da casa tinha o teto tão baixo, e uma areia fina, que era impossível permanecer de pé.
*
o pé direito doeu. ao olhar para ele, não era mais a rachadura de sempre que estava lá. havia um grande buraco. cheiro de terra e umidade, pequenos, mas inúmeros ramos adentravam a sola. podia puxar um dos galhos, mas a surpresa em ver as raízes foi tanta que o medo a impeliu de puxar. parecia que se puxasse, iria doer, arrancar um pedaço de seu próprio pé. as raízes estavam a mostra e a escuridão transparecia uma imensa profundidade. tudo muito orgânico. um pé que agora transparecia os pequenos galhos que agora talvez insistissem em ir para outro lugar.
*
enquanto isso, dormia. no fundo duas camadas de som. o chacolhar do ônibus e o assobio do cobrador, cantando levemente uma canção desconhecida.

problemas de linguagem

ele disse: olvide essa mujer
ela entendeu: ouça essa mulher

mas olvidar não era ouvir. era esquecer.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

revisitando Sokúrov

“Como nasce esse rio?
De onde sai esse rio?
Esse rio sai de mim.
Eu vou morrer, talvez em breve,
talvez não, mas a corrente
continua existindo.”

Alexandr Sokúrov

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

futuro.

alguns pensamentos crescem mais maduros e certeiros conforme o tempo. voltar para casa com um sorvete, acreditando que a decisão foi, de fato, certeira. porque se não fosse, dificilmente você se sentiria tão feliz e satisfeita.
já não acho mais, como há dois anos, que uma cidade pode mudar minha vida. que os erros e vícios em São Paulo, fazem parte de um lado incompleto, perhaps, infeliz. que, talvez, exista essa satisfação em manter o ponto de equilíbrio em buscar o que de fato se acredita, saindo da zona de conforto. calmamente. sem grandes alardes. deixar que a ansiedade passe. deixar que o medo passe. para simplesmente encarar tudo com certeza.
um pequeno grande passo, titubeante, mas para frente.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

mancha.

tenho uma marca na minha mão direita. ela diz que o erro passado ainda é presente.